A IRB(Re) registrou lucro líquido de R$ 65,2 milhões nos meses de abril a junho, um salto de 225% na comparação com o lucro do segundo trimestre de 2023, conforme relatório de resultados divulgado nesta quarta-feira.

Analistas esperavam lucro de R$ 30,3 milhões para a companhia, segundo dados compilados pela LSEG.

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A resseguradora destacou impactos das fortes chuvas no Estado do Rio Grande do Sul no mês de maio.

“Até junho de 2024, os impactos oriundos dessa tragédia foram de 150 milhões de reais de sinistros avisados somados a R$ 107 milhões de provisões de IBNR (Incurred But Not Reported) totalizando 257 milhões contabilizados na linha de sinistros retidos”, afirmou a companhia em balanço.

Os segmentos mais afetados foram patrimonial, habitacional e engenharia, de acordo com a IRB(Re).

“Para estas linhas de negócios temos o programa de retrocessão e após atingir um limite, repassamos os riscos para os retrocessionários. Para os demais riscos, foi feito uma provisão de IBNR para fazer frente aos nossos compromissos relacionados a este evento.”

O índice de sinistralidade foi de 65% no trimestre, 8,6 pontos percentuais acima do patamar de um ano antes.

Os resultados da IRB (BOV:IRBR3) referentes às suas operações do segundo trimestre de 2024 foram divulgados no dia 14/08/2024.

VISÃO DO MERCADO

Surpresas positivas? As ações do IRB (Re) registram fortes ganhos após a divulgação dos resultados do segundo trimestre de 2024 (2T24), que levaram também à elevação de recomendação. Às 10h46 (horário de Brasília) desta quinta-feira (15), os ativos IRBR3 saltavam 20,14%, a R$ 39,07.

A resseguradora teve lucro líquido de R$ 65,2 milhões nos meses de abril a junho, um salto de 225% na comparação com o lucro do segundo trimestre de 2023. Analistas esperavam lucro de R$ 30,3 milhões para a companhia, segundo dados compilados pela LSEG.

“No geral, temos uma visão positiva dos resultados, pois acreditamos que as expectativas do mercado em meio às enchentes do Rio Grande do Sul eram de prejuízo. Impressionantemente, o índice de sinistralidade total terminou o 2T24 em 65% e o Brasil em um comportamento ainda melhor, de 62% – melhorando 10 pontos percentuais (p.p.) na base anual – apesar de R$ 257 milhões de reivindicações relacionadas a enchentes. Isso implica um índice de sinistralidade ex-enchentes em 40%, o que parece baixo. À primeira vista, parece que a pressão de sinistros por enchentes foi compensada pelo desempenho no rural (doméstico) com baixo índice de sinistralidade de 22%, queda em relação a 99% no 2T23”, aponta o JPMorgan.

Sobre outros pontos, o banco nota que a gestão da companhia continua com a estratégia de favorecer a lucratividade em vez do crescimento. A receita subiu 3% ano a ano, para R$ 1,4 bilhão (6% menor versus a projeção do JPMorgan) com destaque para a queda internacional mais uma vez, de 36% anualmente, para R$ 256 milhões. Isso se compara ao Brasil, com alta de 18% anual.

Na visão da Genial Investimentos, o IRB registrou um resultado mais fraco, mas esperado, devido ao impacto negativo das enchentes no Rio Grande do Sul em junho. Por outro lado, o salto do lucro na base anual (apesar da queda de 17,5% ante o 1T24) demonstra uma recuperação significativa em relação aos baixos níveis de lucro do ano anterior, principalmente nas linhas de sinistros e resultado financeiro.

No entanto, em termos de rentabilidade, o ROE (retorno sobre o patrimônio líquido) continuou fraco em apenas 6,1% (-1,3% trimestralmente e +4,2% na base anual).

“O segundo semestre pode trazer resultados melhores do que (antes) o esperado, desde que não haja novos impactos significativos das enchentes no Rio Grande do Sul e o índice de comissionamento melhore de fato de 30% para 20% após o encerramento, em junho, do contrato que havia prejudicado a rentabilidade de curto prazo”. Esses são pontos cruciais que discutiremos com a gestão”, avalia a Genial, que tem recomendação de manutenção para os ativos, com preço-alvo de R$ 34,30, ou potencial de alta de 5,5% ante o fechamento de terça-feira (14). A recomendação é similar para o JPMorgan, com recomendação neutra.

Por outro lado, o BTG Pactual elevou a recomendação para as ações IRBR3 de neutro para compra, com preço-alvo de R$ 40 (upside de 23%) na sequência do balanço.

O banco lembra que, no início de março, já havia atualizado a recomendação de IRB de venda para neutro, argumentando seguir a tese mais de perto e que sempre gostou e acreditou no plano de reestruturação para a empresa. O valuation e a visibilidade ainda muito limitada das ações foram empecilhos.

“Contudo, naquele momento, com a ação ~ R$ 39, acreditávamos que eles haviam construído um histórico de confiança, e com um risco-retorno mais favorável, decidimos atualizar a recomendação. Nossa confiança na gestão só melhorou desde então, corroborada pelos bons resultados do 1T24. Mas as enchentes no Rio Grande do Sul e os possíveis grandes impactos no segmento de seguros fizeram a ação cair para R$ 32,6 (-17% desde março)”, ressalta o banco.

O viés para as ações já estava melhorando nas últimas semanas, avalia o banco, devido aos impactos menores do que o esperado do evento do RS nas companhias de seguros listadas, que apresentaram um bom desempenho na margem, para não mencionar as expectativas de lucros mais fortes no futuro, dada o potencial aumento da Selic no Brasil. “Porém, os resultados do 2T24 do IRB, publicados após o fechamento, foram uma grande surpresa positiva. Mesmo com os R$ 257 milhões (antes de impostos) em sinistros adicionais decorrentes das inundações, juntamente com R$ 107 milhões em provisões para sinistros futuros esperados, o líder de resseguros do Brasil ainda foi capaz de divulgar um lucro de R$ 65 milhões (6% ROE) , queda de 18% tri/tri, mas aumento de mais de 3 vezes anualmente”, avalia o banco.

Assim, para o BTG, embora as perdas possam seguir em alta (o IRB também tem seguro de retrocessão, para sua proteção), o segundo trimestre foi uma redução enorme do risco para a história.

* Com informações da ADVFN, RI das empresas, Valor, Infomoney, Estadão
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