O que pode ocorrer com as ações do GPA, após companhia virar alvo de gestoras?
24 Aprile 2024 - 7:15PM
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As ações do GPA, dono da marca Pão de Açúcar, tiveram forte alta
na última terça-feira (23), subindo 11,69%, o maior destaque de
alta do Ibovespa. O avanço, segundo notícias, se deu pela
movimentação das gestoras SPX e a GTF Capital, que aumentaram sua
participação na companhia.
Segundo o Valor Econômico, a SPX adquiriu um bloco de quase 20
milhões de ações. A gestora já havia no follow on recente adquirido
papéis da empresa e segundo estimativas já deve possuir ao total
algo entre 7% a 8% do capital da empresa.
No caso da GTF, gestora de Rafael Ferri, ex-sócio do TC, a
perspectiva é de que ela já possua cerca de 6% das ações do GPA,
pretendendo chegar a 10%, a depender do preço dos papéis e da
participação do conselho, a ser definida na próxima semana.
O Casino, grupo europeu antigo controlador da companhia, vem
desmontando sua posição no GPA (BOV:PCAR3), em um esforço para
diminuir sua alavancagem. Hoje, segundo o RI do próprio Grupo Pão
de Açúcar, a holding francesa tem algo próximo a 22,5% das ações
ordinárias emitidas.
“Após o Casino falar que está saída, acionistas menores entendem
que podem ter uma influência maior na empresa e, com isso, alguns
grupos começam a se posicionar”, explica Paola Mello, analista de
ações e sócia da GTI. “A marca do Pão de Açúcar é a maior do setor
de mercados premium do Brasil, com um valor enorme, e tem pontos
irreplicáveis. Só que está mal gerida…”.
Posicionamento para mudanças
Para a especialista, o que as duas gestoras pretendem é
aproveitar o vácuo para ganhar mais espaço – e influência – no
comando da empresa, optando um pouco mais nos planos de gestão e
com foco na recuperação futura da rentabilidade do grupo – e
decorrentemente do seu valor de mercado. Apesar da alta de ontem,
as ações do GPA ainda caem mais de 27% no ano.
Atualmente, Mello menciona que o GPA está com sua rentabilidade
impactada. A companhia passa por uma reestruturação, que se arrasta
desde fevereiro de 2022, quando o atual CEO, Marcelo Pimentel,
assumiu. No foco das mudanças, que no quarto trimestre trouxe
sinais positivos, está o modelo de proximidade, venda de ativos não
essenciais e redução de despesas.
“Existem algumas dúvidas do quanto essa pressão de margem é
estrutural ou conjuntural. No setor, há a competição com os
atacarejos, que trabalham com preços extremamente baixos. Tem
também a questão da internet”, fala Mello. “O mercado se divide
sobre se é possível essa empresa voltar a ter uma margem bruta de
28%, 29%, que já teve no passado, sendo que hoje esse número está
mais próximo dos 25%. Para mim, há espaço para trabalhar,
principalmente nos custos”, fala a analista da GTI.
Enrico Cozzolino, analista da Levante, já prega uma maior
cautela. Segundo ele, o posicionamento das gestoras, principalmente
da SPX, considerada por muitos investidores “lendária”, acaba
gerando fluxo por si só. “Há sempre aquele fluxo de investidores
que querem se posicionar junto de uma gestora. É algo
auto-realizável. Fica parecendo a oportunidade da vez. Mas vale a
gente mencionar que são movimentos que dependem de fatores macro.
Não é só gestão”, pondera.
Ele reforça que, hoje, o GPA hoje vive um momento adverso, “sem
apresentar resultados tão favoráveis”. “Como ele se encaixa na
posição entre seus pares? Será que vale acompanhar o fluxo? Será
que a montagem de posição dessas gestoras foca em prazo. Por
enquanto, não sabemos”, diz.
Informações Infomoney
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